sábado, 17 de novembro de 2012

SOBREVIVI PRA CONTAR e MUITO LONGE DE CASA



Recentemente terminei a leitura do Livro de Imacullé Illebagiza – SOBREVIVI PRA CONTAR. A leitura deste livro despertou em mim sensações não boas, fico me perguntando: POR QUÊ????
A algum tempo mais ou menos uns três anos com a leitura de “MUITO LONGE DE CASA – Memórias de um menino-soldado” esta pergunta não me saia da cabeça e agora ela voltou talvez mais intensamente pelo meu estado “interessante”.
Porque as pessoas se jogam em uma guerra? Quem ganha com isso tudo? Quantas vidas são ceifadas literal ou abstratamente? Essas pessoas que “sobreviveram” com certeza carregarão as cenas brutais vividas ou ouvidas para sempre e tentam através da escrita de sua vivencia alertar sobre o quão é inexplicável o ódio humano.
No caso do SOBREVIVI PRA CONTAR é o relato da guerra ocorrida em Ruanda, pasmem, em 1994 onde ruandeses matavam ruandeses, tutsis e hutus em guerra violenta, matando vizinhos, amigos, uns se julgando melhores que os outros por características físicas abstratas como altura, nariz mais fino. Uma tragédia sem explicação por vários fatores, dentre eles a total indiferença do resto do mundo para o que ocorria naquele país. Vale à pena ver também o filme “Hotel Ruanda” que trata do mesmo tema..
Em “MUITO LONGE DE CASA – Memórias de um menino-soldado”, narra a história de um menino que foi “retirado” do seio de sua família em meio a guerra civil em Serra Leoa e transformado em “soldado” por milícias, o filme “Diamante de Sangue” também retrata um pouco dessa verdadeira carnificina humana que se estendeu por toda década de 90 só “terminando” em 2002. Mais uma vez chama a atenção a indiferença do resto do mundo para esse drama que aconteceu ontem!
O que tem um livro a ver com o outro? Simples... Os dois retratam um mundo bizarro que eu simplesmente não posso compreender, onde pessoas se matam em nome de uma hegemonia étnica que simplesmente não existe. São todos filhos da mesma terra, com características culturais semelhantes, se não iguais. Pessoas comuns levadas ao extremo do ódio, alimentadas por bebida e drogas que lhe são facilmente distribuídas pelos “cabeças” dessas desgraças humanas.

Vale à pena a leitura dos dois livros que precisavam ser mais divulgados e debatidos. Quem sabe assim aprenderemos a lição.
Se não de que a guerra não vale à pena, pelo menos destes dois herois anônimos que sobreviveram e começaram uma nova vida, na qual procuram ainda hoje se ajudar e ajudar a todos que ainda sofrem as consequencias de tamanhas tragédias humanas.